• Ana Amélia de Cesaro e Aurélia Picoli

O poder da descentralização

O poder da descentralização não aborda política ou algo do gênero, mas a capacidade que a nova criança tem de nos fazer repensar conceitos, fórmulas e métodos de trabalho.


Há tempo falamos que o cenário mudou e parece redundante falar isso em tempos de crise, mas de fato o mercado de licenciamento vem passando por transformações impactadas pela mudança de comportamento e claro, econômica.


Há menos de 10 anos tínhamos uma criança estimulada principalmente pela TV aberta e fechada, o que nos deixava confortáveis para decidir sobre qual licença trabalhar e qual plano de mídia elaborar. Eu poderia dizer que dá saudade de monitorar a audiência para ver a relevância do personagem e que a maior alegria era calcular número de GRPs, mas estaria mentindo...a vida é mais dinâmica e desafiadora com esta geração que vem chegando.


A criança da Geração Alpha passou de duo chip para 10 chip! Isso porque 10 é a quantidade de pontos de contato que uma criança de 6 a 8 anos acessa para conhecer um produto, marca ou personagem. Temos então, a pulverização dos estímulos e consequentemente aquilo que era relativamente fácil - saber o que e onde a criança acessa um personagem - passou a ser uma gincana eletrizante, já que novos canais on demand são lançados por ano, redes sociais, plataformas de games e tantos outros meios de comunicação.


Junto a pulverização dos estímulos vem a fragmentação das preferências. Se antes, começávamos um grupo de pesquisa, perguntando qual o teu personagem preferido porque era a pergunta mais fácil para a criança, hoje, precisamos entender que esta questão será complexa, dado que respondem com uma pergunta: precisa ser só um? Eu não posso escolher só um... : ( Como assim não pode? Tenho muitos tia!


Sim! Eles têm muitos tia e faze-los escolher apenas um parece crueldade. Neste sentido, muitos profissionais entram, quase, em depressão (calma, é só maneira de dizer) uma vez que a realidade é outra, e significa que a mesma criança não concentrará suas escolhas e consequentemente consumo em um ou dois personagens, mas em pelo menos 5 (média dos preferidos por criança). Sendo assim, aquela realidade de portfolio com poucos personagens que faziam grandes números, não é mais viável, por isso, busque atender ao maior número de interesse da criança. Como faço isso? Descubra os territórios de interesse, veja como se traduzem em temas e converta em personagem, não é uma equação exata, mas funciona.


Uma nova pulverização vem surgindo, para a alegria de uns e estranheza de outros, a pulverização dos temas. Quem poderia imaginar que um ser místico seria um dos personagens mais queridos do público infantil e adolescente? Sim, estou falando dos unicórnios, aqueles seres coloridos, com chifre, que não existem no nosso universo, mas felizmente colaboraram no resultado positivo de muitas empresas. Alguns temas, como unicórnio, entram na vida da criança com a mesma força que os personagens porque para elas é um personagem, afinal, tem uma história não contada, mas imaginada, é tão colorido e atrativo quanto e está em muitos pontos de contato. Então, fique atento aos temas que surgem porque eles podem e devem compor o mix de produto da empresa.


Bom, o licenciamento continua não sendo uma matemática simples, o valor do MG não necessariamente representa o teu real potencial de faturamento ou a demanda do consumidor. A demanda vem deste mix de comportamento impactado por mais de 10 pontos de contato, com mais de 5 personagens preferidos e agora com temas compondo esta preferência.


Por isso, busque saber quais os territórios de interesse da criança desejam impactar, onde estes territórios se apresentam (as mídias tradicionais e não tradicionais

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