• Ana Amélia de Cesaro e Aurélia Picoli

Conheça, descubra!

As empresas costumam perguntar onde as crianças ficam sabendo das novidades, como fazem para acompanha-las e quem influencia quem.


Vamos começar pelo mais fácil, se tem algo que se encaixe nesta categoria quando falamos de um potencial consumidor. Comecemos por como fazem para acompanhar as novidades:


1. Vídeos no YouTube, sejam simples e ou elaborados tutoriais, de conteúdo autoral de uma marca ou de um simples individuo que tem coragem de se expor, a questão é que eles têm tempo e acesso...e quando não sabem ler e escrever usam a ferramenta de áudio que resolve todos os possíveis problemas, que nem chegam a ser problemas.


2. Google, afinal, o site continua sendo a biblioteca mais completa de informações úteis e nem tanto, mas efetivamente, diferente dos pais ou professores, sempre tem a resposta na ponta da língua, ou neste caso da página...e o melhor, responde na hora, tão rápido e impaciente quanto as crianças.


3. A escola, claro, não ficaria de fora já que concentra o grupo de iguais, aqueles que compartilham a mesma rotina, alguns interesses em comum e que são estimulados a questionar, contestar e elaborar desde cedo. Não, a escola ainda não mudou totalmente a forma de ensino, mas as crianças mudaram e imprimem um novo ritmo.


Onde e quem influencia são histórias que se cruzam, na verdade tudo se conecta tão bem nos dias de hoje, como um grupo de células, que fica difícil separar e pontuar as informações. Há seis meses temos visto um movimento forte das crianças falando de locais pouco comuns, ou que nos causaria certa estranheza, mas que hoje só nos mostra o quanto estamos em transformação.


1. Em uma pesquisa uma menina de 7 anos falou, tão naturalmente, da Merlin...na ocasião ela contava que gostava muito desta loja, que é a Leroy Merlin - “a do triangulo verde, sabe tia?” (a tia sabe, mais do que gostaria) – porque ia com frequência com os pais comprar material para a reforma do apartamento. O gostar era tanto que ela mencionou que provavelmente pediria um presente da loja já que lá eles têm kits de ferramenta que a ajudariam a ser construtora...desejo despertado pelo envolvimento com a obra e por assistir o programa Irmãos a Obra. Então eu pergunto, cadê os kits ferramentas dos Irmãos a Obra? Onde estão os produtos licenciados neste canal de venda que sim, é para a criança já que acompanham seus pais que passam horas nestes locais – nunca é rápido como gostaríamos.


2. Em outra pesquisa surgiu o conhecido por todos, Mercado Livre. O menino de 8 anos contava que lá era fácil de encontrar o que buscava, além de ter as melhores ofertas. Logicamente é fácil porque a gama de cadastros é enorme, consequentemente a quantidade de ofertas também. A primeira coisa que a criança aprende são os números, e logo entende que o 1 vale menos que o 2 e assim por diante, o que a pesquisa ser rápida e assertiva como me contava este menino. “Tia, eu estava buscando um mordedor para meu irmão pequeno e encontrei muitos, minha mãe não estava achando nas lojas, ai eu vi o que começava com o preço 1 e mostrei pra ela...custava R$16,00, estava bom o preço, por isso ela comprou”. Neste caso, quem influenciou quem? Quem está ensinando quem?


3. A febre do slime, que poderíamos chamar de o grude do slime. Sabe o “formal” kit do slime que encontramos nas lojas tradicionais de brinquedo? Bom, não são apenas estes que as crianças têm comprado. Entre colas, purpurinas, lantejoulas e tantos outros materiais para “turbinar” o slime, surgem novos canais de venda de interesse da criança, como os informais camelos que têm recebido carros chiques como BMW, porque febre não tem classe social, as grandes papelarias como a Kalunga, que nem sequer eram mencionadas e hoje as crianças sabem qual fica mais próxima sua casa, ou as especializadas que surgiram nos shoppings. O ponto é: “tia, o importante não é o lugar, mas quem tem tudo o que a gente precisa para fazer o slime”


Ou seja, não podemos mais ser categóricos quanto a busca de informações, canais de venda ou disseminação de um conteúdo, brinquedo que vira febre. Pela primeira vez estamos vivendo em um mundo sem fronteiras, onde quase tudo pode, contanto que seja bom, bonito, se for barato melhor e se der para trocar com os amigos, incrível. Quando pensar em licenciamento, pense além dos canais tradicionais, além do estado, além do que um simples adulto consegue pensar...pense como uma criança! Conheça, descubra!


Artigo publicado na Revista Licensing em abril de 2019

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